Ponto prévio;
A nossa opinião não é uma critica
direta à pessoa do treinador Vítor Pereira, nem à sua escolha como treinador
principal deste grupo de trabalho, porque acreditamos que o mesmo tem competência para fazer um excelente trabalho, mas sim à sua dificuldade e teimosia em
perceber que uma equipa deve funcionar entre o atacar e defender, e não a 100%
em ataque continuado, para além de saber o que fazer quanto tem a bola, na qual
pode aproveitar para descansar e recuperar forças, assim como quando não a têm e
a procura recuperar rapidamente, desgastando-se fisicamente na sua incessante
procura em 90 minutos. É nesta dicotomia, do que fazer e quando o fazer que a
equipa parece que se perdeu, pois as percentagens dos minutos bem como os metros
do seu posicionamento em campo, foram alterados de uma época para a
outra.
Ora e com base nestes pontos prévios,
achamos que a deficiente imitação do sistema de jogo do Barcelona, que Vítor
Pereira insiste em praticar com estes jogadores do Porto, começa a provocar
demasiados estragos no cariz competitivo e mental desta equipa azul e branca, e
em que o próprio treinador pode muito bem vir a ser imolado no fogo da sua
ardente paixão pelo futebol de ataque, à "lá Barcelona".

Visitando a blogosfera afecta aos azuis
e brancos, são mais os que pedem abusivamente e já a sua cabeça, temendo que
estas esfumadas confusões e emaranhadas decisões técnicas nos possam conduzir ao
naufrágio completo nesta época desportiva, dos que aqueles que se dignam
afiançar que novas vitórias despontam já num horizonte muito próximo, bastando
para isso mais afinco profissional e treino físico, sem queimar etapas na
consolidação do novo sistema.
Resumidamente e na nossa modesta
opinião, de um apaixonado pelo futebol, mas doente pelo azul e branco,
apresentamos nas linhas seguintes, a nossa opinião do que pode estar mal neste
sistema de jogo, e quais as saídas previstas para a equipa, sem colocar a
ambição e os objectivos em risco.
Depois disto, então qual é o pecado do sistema de Vítor Pereira?
Ao obrigar os médios do F.C.Porto, a
aproximaram-se demasiado dos pontas Hulk e Varela, arrastando consigo, mais
adversários para essa zona do campo, retiram espaço e velocidade a estes, para
tentar o um contra um, já que os mesmos tem como melhor arma a rapidez de
execução em velocidade, terminando em cruzamento ou remate à baliza. Para além
dos nosso médios se aproximarem e congestionarem ainda mais as laterais,
desguarnecem o nosso meio campo de elementos, porque a defesa continua a ficar
muito atrás na ocupação de espaços, não matando as jogadas no campo adversário,
dando assim oportunidade aos médios interiores adversários, ou pivots defensivos
de avançarem em velocidade para o nosso meio campo defensivo, já que a
preferência é a progressão direta com a bola tipo Benfica, criando assim uma
superioridade numérica do seu ataque, em detrimento da nossa defesa.
O primeiro jogo a sério desta época
contra o Lyon, provou que este sistema seria fácil de desmontar desde que a
equipa adversária tivesse, bons médios defensivos e que possam roubar a bola em
agressividade exagerada, sem serem sancionados disciplinarmente pelo facto como
aconteceu no jogo contra o Benfica, entregando rapidamente a mesma aos médios
ofensivos ou aos pontas de lança do género de Lisandro ou de Gomis, e que não
tenham medo de partir rapidamente para a nossa grande área, sem aguardar por
apoios, rematando de meia distância à nossa baliza.
Compreendo que este sistema possa ser
utilizado, se a defesa fosse constituída por jogadores rápidos e que gostassem
de jogar por antecipação, bem como se os nossos médios fossem jogadores com bom
remate de meia distância, ou com capacidade de romper entre 2 a 3 adversários em
direção à baliza adversária. O único que o faz e já o fazia o ano transacto é o
Guarim, devido ao seu poderio físico e que não se deixa abater facilmente. Para
além das características técnicas dos jogadores disponíveis que não são as mais
apropriadas, este sistema também enferma de uma grande dificuldade, pois provoca
um desgaste demasiado acelerado das capacidades físicas dos nossos médios pelos
constantes movimentações, entre defesa ataque, e ocupação de outros espaços como
as zonas junto às linhas laterais, abrindo o seu raio de ação.
Como saída propomos que a equipa volte
a jogar com os blocos mais afastados, ocupando o seu meio campo, deixando o
pivot defensivo ocupar a linha por trás dos médios sem se encostar aos defesas
centrais, ou entrar nas costas dos médios mais ofensivos, para que se formem os
triângulos bem definidos, e que estes se mantenham em posições mais interiores e
não se aproximem dos extremos, e que estes últimos, sejam mais diretos nas suas
ações, tomando as diagonais em direção à baliza adversária.
Quando sem bola, a equipa deve descer
com todos os seus elementos em bloco e posicionar-se mais no nosso meio campo,
pressionando a partir da linha do meio campo com mais intensidade o adversário
que transporta a bola, resguardando-se fisicamente e de maneira que mal a ganhe,
possa rapidamente partir em ataque para a baliza adversária, apanhando a mesma
em contrapé.
Temos que ter 2 sistemas de jogo, e não
insistir constantemente e durante 90 minutos no pressing alto, pois assim
ficamos com a língua de fora aos 50 - 70 minutos, e deixamos muito espaço nas
costas da nossa linha média, já que os defesas não acompanham a sua subida no
terreno.
O jogo do Barcelona, passa também e
muito por este posicionamento e não só pela pressão alta sobre a defesa
adversária, pois apesar de o fazer vai recuando para o seu meio campo em bloco,
acompanhando o movimento da equipa adversária, mas sempre na procura de roubar a
bola ao adversário. Ora é neste pormenor, que os jogadores do FCP tem vindo a
falhar. Não recuam em bloco, ou quando recuam não procuram a bola, acompanhando
a equipa adversária, porque andam confusos com as novas decisões, ou não querem
trabalhar na procura da bola. E como dizia o outro, Roma e Pavia não se fizeram
num dia, o Porto tem vindo a sofrer alguns dissabores, porque não teve tempo de
treinar devidamente e com todos os seus jogadores este novo sistema de jogo. Vai
treinando o mesmo em competição, com alguns custos nos seus resultados.
É tudo uma questão de metros ou
centímetros, se mais à frente ou se mais atrás, se deverá colocar a equipa do
F.C.Porto a defender e a partir para o ataque.
Neste novo sistema de Vítor Pereira,
temos demasiado jogo em apoio e trocas de bola, mas falta-nos matreirice e
rapidez para apanhar a equipa adversária em contrapé, ou em desorganização
defensiva, bem como capacidade física para o fazer durante 90 minutos.
Se insistir em demasia nesta sistema de
alta pressão, então aconselho o departamento físico do F.C.Porto a comprar
aqueles potes de suplementos vitamínicos que existem na Sportzone, e a oferecer
o mesmo aos seus jogadores.
Nesta altura, é impressionante a
frescura física do Benfica, em comparação com o F.C.Porto. Ainda ontem no jogo contra o Paços, e aos 70
minutos, fazem arrancadas de deixar os adversários pregados ao chão, marcando 2
golos em 5 minutos.
Por vezes e por mais que custe a Vitor
Pereira e alguns apaniguados adeptos portistas, a utilização de um sistema de
jogo de contra-ataque ( transições rápidas ) como uma equipa "pequenina" faz nos
jogos contra os grandes, também deverá ser treinado e utilizado para utilizar em
alguns dos jogos.
Será que agora por termos a mania de que
somos uma potência do futebol, não nos podemos comportar como uma equipa pequena
e aguerrida, na busca da vitória, pelo caminho mais curto?
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