André
Vilas Boas, bem pode ser um progressivo pensador de futebol de ataque, mas a
sua teimosia na imposição de uma linha de defesa muito subida no campo, com
jogadores relutantes, ou incapazes de a adotar, tem resultado em copiosas
derrotas para o Chelsea, como o sejam contra o Manchester United, Queens Park Rangers,
Arsenal, Liverpool, (2 vezes ), bem como com o Bayer Leverkusen.
É
quase obrigatório, encontrar grandes semelhanças entre aquilo que Villas Boas,
e o seu antigo chefe José Mourinho realizaram no FC Porto. Mas o mais
intrigante, entre os dois técnicos e antigos colegas de equipa, é a diferença
na abordagem táctica das equipas.
Enquanto
Mourinho, gosta de colocar a sua defesa numa linha bem baixa, e mais fixa no
campo, como se viu em 2010, na 2ª mão da meia-final da Champions League, entre
o Barcelona e o Inter, em Camp Nou, Villas Boas pelo contrário perfere uma
defesa que pressione bem mais alto, no terreno de jogo.
Contudo,
esta filosofia tem provocado bastantes dissabores a Villas Boas e ao seu Chelsea,
cuja defesa não se encontra dotada para jogar neste sistema.
John
Terry, líder da defesa do Chelsea, é o primeiro a saír ao encontro da bola,
sendo o comandante de uma defesa dura e intransponível, quando a bola se
encontra à sua frente, mas que deixa muitos espaços nas suas costas, e que
devido à sua falta de rapidez e de velocidade, podem ser bem aproveitados pelos
seus adversários.
Quando
Terry se encontrava no seu apogeu como jogador, partilhava o centro de defesa
do Chelsea, com um jogador rápido e inteligente a defender - Ricardo Carvalho
ou Rio Ferdinand, que se posicionavam ligeiramente atrás de Terry, enquanto
este fazia o duro trabalho físico de ser o primeiro a tentar roubar a bola ao
adversário, fosse por disputas no solo, ou em batalhas áreas.
Nesta
epoca contudo, Terry que não tem tido um parceiro regular no centro da defesa,
pois os mesmos tem variado entre Alex, David Luiz e Ivanovic, tem sofrido um
pouco mais, com este seu posicionamento numa defesa subida no terreno.
O
fraco sentido posicional de David Luiz, em particular, tem colocado por vezes
algumas questões e dificuldades acrescidas a Terry.
A
linha completa e certa dos 4 defesas do Chelsea, tem passado por dificuldades
de organização e por incertezas de sentido posicional, pela dificuldade que
Ashley Cole, revela, ao não acompanhar os restantes colegas, no recuo para a
sua posição.
Conforme
se viu na derrota do Chelsea por 3-5, frente ao Arsenal. A pressão que a defesa
do Chelsea faz, é muito fraca, e por sua vez devido ao seu adiantamento, deixam
muito espaço nas suas costas que podem ser muito bem aproveitados pelos
adversários que sejam rápidos e saibam jogar com o timing certo, para as
desmarcações, em profundidade.
Foi
o que aconteceu, quando Cole do Chelsea, ficou exposto perante o rapidíssimo
Theo Walcott´s do Arsenal, devido a dificuldade de Obi Mikel, trinco do
Chelsea, ( pesado e lento ) em recuperar rapidamente a sua posição, já que este
tinha saído para a direita, ao encontro de André Santos, do Arsenal, por falha
de Bosingwa, que facilmente tinha sido ultrapassado, por ser pouco agressivo na
procura da bola.
O
problema do Chelsea, não se deve só a uma causa, mas sim ao somatório dos erros
individuais de cada jogador, cujo somatório total, acabam por levar ao erro
geral de toda a equipa.
Quando
se tem uma defesa num bloco baixo, as tarefas de cada um são muito mais simples
e compartimentadas, como por exemplo, os atacantes atacam, e os defesas
defendem, permitindo que as diferentes partes da equipa, consigam realizar as
suas ações com poucos ou nenhuns erros, já que não existe sobreposição de
funções. Contudo, quando os erros acontecem, lá estará uma linha de 4 defesas
bem formada, e se necessário com a adoção de um 5º elemento, qual polvo, que
lhes permite fechar todos os caminhos para a baliza.
Com
uma linha de defesa subida, todos os jogadores da equipa devem funcionar em
conjunto e corretamente como um só, pois um erro por pequeno que seja,
transforma-se num grande buraco.
O
Chelsea, não é meramente uma equipa de futebol constituída por jogadores de
idade avançada, e que foi construída numa certa filosofia de jogo, mas sim um
velho cão, que está a ser forçado a aprender novos truques.
Sete
dos jogadores que iniciaram o desafio do Chelsea na derrota contra o Liverpool,
foram jogadores de José Mourinho em Stamford Bridge. Apos esta derrota frente
ao Liverpool, houve conversa da grossa, protagonizada pelas figuras mais
seniores que dominam o balneário, como por exemplo Lampard, desaparecido das
primeiras linhas, e que por sua vez, e de certa maneira estiveram envolvidos,
no despedimento dos treinadores como Avram Grant, e Luiz Filipe Scolari.
Este
ambiente pesado, tem dificultado a fácil mudança, e por paradoxal que pareça,
esta cultura do imediato, tem mesmo provocado constantes mudanças de treinadores,
tornando as mudanças genuínas, muito difíceis de acontecer, pelo novo técnico.
O
Chelsea, é neste momento uma equipa com necessidade premente de renovação. A
esta geração de jogadores foi-lhes permitido envelhecer em conjunto, desde que José
Mourinho esteve neste clube o tempo suficiente para implementar a sua visão. A
questão neste momento, é se André Vilas Boas, é o homem certo para realizar
esta carismática mudança.
O
problema, é que André com os seus 34 anos, e num clube como o FC Porto, quase
que só teve sucesso, não havendo indicações de como se comportará mediante a
adversidade.
Veremos
se o Chelsea dará a Vilas Boas, os recursos suficientes para reconstruir a
equipa do Chelsea na sua filosofia de jogo, ou se isto acabará por ser um erro
tremendo do Chelsea, e os mesmos possam partir para a contratação de um novo
técnico. O ridiculo desta situação, é que se for essa a escolha, com certeza
que o novo técnico terá pela frente, as mesmas questões que agora são
enfrentadas por André Vilas Boas.
Excelente crónica.
ResponderEliminarAgora se percebe, porque Vítor Pereira utiliza Maicon, na direita para defender não só o seu corredor, mas por ser mais rápido, pode defender as costas de Rolando, que é um pouco mais lento.