Talvez o ascendente emocional pertença aos
homens de Vítor Pereira, que recuperaram os cinco pontos que tinham de
desvantagem para os “encarnados” em apenas duas jornadas, mas há sempre a
pressão acrescida de o campeonato ser o único objectivo (a Taça da Liga é uma
causa menor para todos) depois da eliminação da Taça de Portugal e do traumático
afastamento da Liga Europa às mãos do Manchester City.
E o campeonato, onde
também já sofreu uma derrota (Gil Vicente), parece mesmo ser a única coisa que
segura Vítor Pereira no banco do Dragão. É da conquista desse objectivo que o
seu futuro parece depender, mesmo que o discurso para fora seja o de confiança
mútua entre treinador e o presidente Jorge Nuno Pinto da Costa.
O sinal mais preocupante é o de que o Benfica
não marcou nos dois últimos jogos, quando tinha marcado sempre nos jogos
anteriores. Jesus disse ontem em conferência de imprensa que era injusto julgar
o Benfica pelo incapacidade ofensiva recente. A verdade é que a equipa tem 47
golos marcados (tal como o FC Porto) no campeonato e, antes dos jogos em
Guimarães e Coimbra, tinha marcado sempre, enquanto os portistas já tiveram três
jogos em que ficaram a zero (Feirense, Olhanense e Sporting). E o FC Porto tem
sido mais inconstante nos resultados. O melhor que os portistas conseguiram foi
quatro vitória consecutivas (da primeira à quarta jornada), enquanto os
“encarnados” chegaram a ter uma série de oito triunfos seguidos, que terminou
com a derrota em Guimarães.
Há um ano, com o mesmo número de jogos disputados
no campeonato, as diferenças eram bem maiores entre os dois rivais, com posições
trocadas. O FC Porto liderava, com 54 pontos, enquanto o Benfica somava 48.
Estes seis pontos, dez jornadas depois, cresceram para 21 e os portistas foram
campeões sem derrotas. As últimas dez jornadas de Villas-Boas foram quase
perfeitas (nove vitórias e um empate), enquanto as de Jesus foram desastrosas
(quatro vitórias, três empates e três derrotas).
Este jogo, que marca o arranque para o último
terço do campeonato, poderá ser um importante reforço psicológico para quem
vencer, mas não irá decidir o campeão porque, depois, ficam a faltar nove jogos,
com 27 pontos em disputa e espaço para recuperação caso a vitória caia para
qualquer um dos lados - pode, no entanto, servir para desempatar caso ambos
cheguem ao fim com o mesmo número de pontos. Até ao fim da época, ambos ainda
terão compromissos difíceis. O FC Porto recebe, por exemplo, Académica e
Sporting, e tem difíceis deslocações aos terrenos de Nacional, Sp. Braga e
Marítimo. Já o Benfica, depois do encontro de hoje, recebe na Luz Sp. Braga e
Marítimo e visita os campos de Olhanense e Sporting.
Foi a receita do sucesso. Entrar a pressionar.
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